quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

koro stelo*

 

Que o nosso coração seja iluminado pela estrela da paz
e anuncie sorrisos, abraços e boas novas. 
Enfeitemos a árvore da nossa vida com esperança, saúde e harmonia
e acendamos a chama do amor para o mundo.
Feliz Natal a todos!


* esperanto

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Mea culpa



No zénite da vida e na consequência da época que atravessamos,
os balanços são inevitáveis e, sendo o meu Deus firme e justo,
castigador por vezes e assaz atento, tenho de tomar por minhas estas
palavras: desculpa meu jeito, meu mal jeito, falta de jeito.*
Endereço-as a todos quantos, de algum modo ou,  de jeito algum,
não estive à altura, fui indelicada, pouco receptiva, intransigente, teimosa,
indisponível, cansada e tudo mais que queiram adicionar à lista.
Tenho pena de não ser suficientemente laboriosa nas palavras que escrevo, 
mas já tudo foi escrito e pensado por alguém, por isso, a mim,  cabe-me apenas a tarefa
de faze-las chegar ao coração daqueles que têm paciência para ler-me e acreditar na minha salvação. 
Mea maxima culpa.
Já agora se puderem intervir a meu favor perante Deus, agradeço... devotamente.









*(Caio F. Abreu)

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Sursum corda (lat.)


Existem dias que fazem-nos ser muito melhor, que tornam a nossa vida cheia, plena e abençoada.
E existem momentos que ficarão para sempre gravados e presos ao nosso coração.
Hoje foi, é e será um desses dias. 
Duradouro momento feliz.
15.12.1984

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

T1



ao cabo de mim
tormenta, esperança
que navega e abre
novo caminho, nova rota
 
ao dobrar de mim
desatino, bonança
que desflora e brota
outra via, outra levada
 
nau pinta, golpe de asa
em ti...por ti...em tudo...por tudo...

Adoro-te! 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

magicis insulae



Dos istmos pensamentos
construo ilhas, arquipélagos-náufragos, à deriva, aos ventos.
Ergo picos, montanhas, escadas,  
meras escalas, altas pressões ...grandes falhas.
Novelos que teço, meadas que dobo, enrolo,
velos de sacrifício diário, oferecidos,
cardados a rogo, a lágrima, exaspero íngreme, contínuo.
Ilhas estrela, rosas, sorrisos, mãos, palavras, sentidos.
Aos molhos, tronchas, prenhes, firmes ao ar que respiro.
Mágicas.
  

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Camellia



Da semente lavrada
no meu horto das palavras,
 houve uma que criou raízes, que floresceu, que pariu.
Podia ser magnólia, violeta, rosa ou girassol. 
 
Nasceu camélia e habita o verbo.
 


terça-feira, 17 de novembro de 2015

(de) Mais

 
 
a palavra sufoca, aperta, brota
sentida, fácil, magnifica,
 jaz muda, órfica, estéril -
demasiadamente

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Jogar a vida



Quantas vezes apostamos tudo o que temos e o que não temos, num lance de dados, na roleta da vida, na máquina do tempo e do dinheiro que nos suga, consome e aniquila, adiando o futuro e a esperança, pintando-nos de preto por dentro, alumiando-nos um sorriso amarelo, com os olhos mortiços e vagos caídos no horizonte.
Seguimos em frente, porque o caminho faz-se caminhando, agora virando à esquerda, ou num retiro-prisão de vícios, ou na infelicidade da espera de um amor que não chega, ou num amor de mãe que espera que tudo dê certo e corra bem, ou na expectativa de um futuro tão, tão melhor ou que seja, pelo menos, igual ao presente.
Apostamos alto mas contentamo-nos com pouco.
Mesmo que esse pouco seja tudo e esse tudo o pouco que nos satisfaz.

Quantas vezes  nos basta apenas um sorriso?!




quinta-feira, 22 de outubro de 2015

(de) Poente

*

Ponto.
Forma.
Verbo.
Eu.
 
 
* "Poente" Isabel Magalhães, 2004 30x120 cm, acrílico sobre tela


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Da escrita



Por vezes, basta um olhar,um objecto, um termo, uma expressão,
para, numa verve tímida, inscrever no puro branco do papel
palavras que me assaltam e me obrigam a esculpi-las à mão.
E no absurdo de escrever, nascem histórias, sentimentos, criaturas, ficções
e um eu e um outro,  que me espia, copia, senta-se ao meu colo
e ensaia gritos sem ruído mas com assinatura.

- Está tudo bem contigo?
-Sim. São só memórias que se vêem ao espelho!


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

E se?...

À beira mágoa escrevo.

Em corrente forte, árdua,
em catadupa torrente que
rasga e fere, furiosa
sulcos térreos  bolbosos,
torrões grossos de lama opacos,
disformes, errantes - minha Alma pura.

E as palavras cavalgam letras e açoitam sentidos.
Esporam ânsias. Acoitam. Secam. Jazem mortas.

E a casa quieta ... erma
cresce e transporta o medo da solidão profunda...

E se?...
E se este não for o caminho?
E se esta não for a vida?
E se este não for o sentido?

Sinto uma leve brisa.
Sussurram-me ao ouvido:
- Hei-de fazer-te voar! Não. Não estás sozinho!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Em ponto!


Forrei a palavras
as paredes do quarto.
Aquele que fica ao fundo,
no corredor de mim.
Na janela de onde voo
entrelacei exclamações e interrogações
embainhados por dois pontos
em contínuo.
É aqui que me passeio nua
e enfeito o cabelo
de nuvens e travessões
de pérolas regurgitadas,
onde me deito com a lua, nova. 
As estrelas velam-me o sono
que tantas vezes se perde,
em horas vazias e,
embriagado brinca distraído
com os raios do sol ao vento.
- Que horas são?
- Poesia em ponto!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Gratias mille


Existem pessoas que o têm nos olhos,
outras na boca, outras nas mãos,
outras ainda, simplesmente não o têm...
Este coração de que falo é aquele
que nos habita, preenche, vibra, transborda,
vive, renasce, dá.
Este coração recebe cada gesto,
cada sorriso, cada mão, cada abraço,
cada raio de sol, cada pingo de chuva,
cada grão de areia, cada obstáculo,
cada contratempo, percalço,
raios e coriscos, angústias
 e ais e tantos nada
e os transforma em ponto cruz,
ponto pé de flor, ponto cheio, invisível,
de luva, caseado,  que borda e preenche
cada espaço deste.
O que eu ostento ao peito, rubro e grande,
está cheio de graças e por isso
 e por tudo ... obrigada!



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Às vezes...



Às vezes
prefiro o sol ...
Às vezes
prefiro a chuva ...
Às vezes
prefiro o calor ...
Às vezes
prefiro o frio ...
 
Hoje ...
prefiro o vento ...
preciso de arejar ideias!

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Do amor



Pedes-me ausências e
agradeces beijos.
Pedes-me as mãos e
doo a lua, rapto estrelas.
Pedes-me o horizonte e
pinto-o em linha recta
(360º graus, 365 dias).
 
Amo-te continuamente
na força centrifuga desta dimensão:
alma, corpo e Tempo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Da mágoa




Nas horas
onde o silêncio
constrói muros empedrados de solidão,
o eco ressoa mantras de retalhos
cosidos pela dor,
burel tecido que agasalha e abafa palavras
surdas,
mal ditas.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Concha

 


   Encosta-me ao teu ouvido...
ouvirás o canto do mar
na voz das sereias que habitam
 o meu peito...

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

(in) Existência


Existir é tanto ser como não ser.
A privação de pensarmo-nos por dentro
é que nos aniquila.
Ainda bem que estou doente! 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Travessia



Nos dias em que partes
a fazer ninho noutros lugares
enfeito o meu beiral de lágrimas,
prismas de luz que te guiam
para onde tens de chegar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Nada




"Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias"
                                  Eugénio de Andrade

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Red shoes



Cheguei e bati à porta. Tímida, muito timidamente.
A jornada tinha sido trabalhosa e difícil, embora feita a eito e com empenho. Desta vez,  feita por vontade própria e com uma tenacidade que desconhecia. No caminho das improbabilidades o rumo seguia a direito nas palavras. Sempre as palavras. Que me rondaram, viveram e me habitaram mesmo quando delas me esquecia ou ignorava, calando-as muitas vezes, sufocando-as outras na mudez que por vezes me assola. Chegada aqui, era imperativo bater à porta.
O castelo é enorme, grande e majestoso. A porta imponente, trabalhada de saber, aparenta cada lágrima, cada gota de suor e sangue de todos quantos a fizeram e sustenta o peso douto de tudo quanto carrega, da semente á flor, da haste ao tronco, dos ramos à folha, da terra ao sol.
Abriu-se a porta.
Uma luz intensa inundou-me os olhos. Presa ao chão com o receio do caminho,  sinto frio.  Por dentro,  oiço as palavras de incentivo que já me tinham dito mas que teimo menosprezar. Eu?! Eu não fiz nada. Apenas sigo. Uma intuição que é maior que eu e me arremessa para um desconhecido, talvez já percorrido mas seguramente traçado, que me impele a ir. 
Procuro na cegueira um corrimão. Porém, pelo sim pelo não, calcei os meus sapatos vermelhos...
 
  

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Ele há dias...



Hoje o corpo-copo está meio cheio...
preenchido de sublinhados, notas e vírgulas
que pontuam o vazio, sem esquecer as reticências!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Foi neste setembro que os anjos ganharam asas!



Setembro...
O fresco da noite antecipa o tempo que se adivinha,
no resgatar dos dias das estações que marcam o compasso e
a luta diária da rotina que assina os nossos passos.
Setembro...
Mudam as cores das folhas e muitas perecem no embalar do vento
dando lugar ao pousio da vida que se irá fortalecer, crescer, nascer
de novo, brotar e florescer noutro tempo, noutra estação-apeadeiro
da nova existência que se segue.
Setembro...
Fim de ciclos, de etapas, de possíveis e impossíveis
momentos e instantes passados, felizes ou menos bons,
de exames, de provas, de metas conseguidas, vencidas, ganhas
e de muitas conquistas temperadas e provadas no sal da alma.
Setembro...
Estendemos braços para alcançar novos projectos, novos caminhos
e alargamos abraços para poderem conter todos os que nos habitam
por dentro e por fora, na longa distância do espaço que nos separa o corpo
mas funde a alma em uníssono pensamento de amor e saudade.
Setembro...
Nos idos deste,  novos caminhos se abrem, novos horizontes se alargam.
Novos desafios aceites,  percorrendo novos trilhos traçados e feitos sonhos
numa imensa estrada de tijolos amarelos...

Foi neste setembro que os anjos ganharam asas!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

M_rte?




Porque há dias assim?
Mal acordamos levamos um murro no estomago...
A dor, o enjoo, o nojo, a repulsa, a revolta,  a impotência,...
 
Que planeta é este?!

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Ipso facto


Nas paredes do sangue escorrem lágrimas que gritam
rasgam sulcos nas teias das veias, nas ventas da pele, na carne da língua, no veio do corpo.
Soltam pingos de sal, pitadas de dor, correntes de lava que roçam, queimam e agarram o gesto,
a mão, os olhos.
Labaredas de angústia escondem-se nas dobras das pálpebras e prendem cristais de água,
poliedros de luz  que fulminam e matam a esperança que desagua... em ti.

Fica por dizer tudo o que se afoga na garganta,
que se afaga em dedos que se tocam crispados, sonsos e sem tacto.
Procuram a prega, a marca, a raiz do mal que engasta, encrasta,
germina e cresce na imagem que flutua... em ti.

Telhas de vidro-pensamento,
querer-te, perder-me e achar-te,
sentir-te mais que a tudo, a mim, à vida, à morte, ser eu e nada... em ti.

Pouso o dorso no leito vésperas horas completas
amanso a ânsia no peito,  me entrego à curva da vida, do tempo, à estrada...
É em ti que eu me esperava.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Lua



Sim, é na noite que os castelos se iluminam.
Que se  incandescem os sonhos. Onde vagueiam as ondas do pensamento ...
tão voláteis que ultrapassam barreiras, paredes, frestas,
arbustos, árvores, masmorras, catacumbas...
a imiscuírem-se em tudo,
a arrastar-nos nas nossas pesadas correntes,
a iludir-nos asas em vãos de  janelas.

É na noite que se soltam diabos, feras, monstros e é,
na calada da noite,  que se tangem destinos, amantes...
vidas e mortes... cúmplices e testemunhas...

Imenso buraco negro onde surge a grande dama da luz
que ilumina e rege os ciclos, os fluxos,
o tempo, os humores e a vida.
Que nos dá o braço e o abraço,
que nos inspira e alumia,
que nos vela e acoita,
que nos vigia e cala.

E deitada na noite,
sob o seu manto de nuvens bordado a estrelas brilhantes,
nos guarda e se transforma em confidente, amiga, comparsa.


De vez em quando ausenta-se. Não surge debruçada no parapeito da noite...
Vai banhar-se no rio de prata,
lavar a alma dos homens e enfeitar-se de brilho,
para ressurgir de novo
alva e pura,
bela e nua.
Simplesmente linda.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Multiplicação do silêncio



No acorde quente do vento
o toque bafejo da brisa ecoa a nada
o vazio ressoa a húmus
a verde musgo que escorre viscoso...
estranha-se na pele
entranha-se no corpo e
multiplica-se a inércia, a quietude e o silêncio.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

GPS


 
 
Em socalcos de carne
o sangue escava fendas
tatuadas a sanguínea
que tinge os corpos-papiros
como marcadores:
do crescimento, do amor, da idade.
A emoção grava  relevos
 nos corpos-mapas como linhas:
  indicam percursos, conferem trilhos, marcam caminhos. 
Corpus mundi vitae.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Sou



 
Sou como um rio à beira da foz!
Mansamente caminho para o mar...
Os seus grandes braços de espuma me aguardam.
Pacientemente!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O carvalho e a papoila



Na sobriedade dos sentidos
no pasto salpicado de pontos coloridos
no ébrio verde da paisagem
ergue-se erecto um carvalho
imponente, majestoso de copa frondosa
abraçando o céu, colhendo estrelas,
servindo de berço à lua, olhando alto, de cima.
Uma papoila de caule fino,
pernalta, presa à terra, frágil,
verga-se  hirta ao vento, à brisa
e na sua simplicidade olha o carvalho
imponente, sábio.
Que loucura,
uma papoila apaixonar-se por um carvalho.
Que loucura,
o carvalho olhar para uma papoila.
Se amam e no silêncio
partilham solidões.
 

terça-feira, 28 de julho de 2015

Vida



Por vezes reservam-nos desígnios tão obscuros, que a vida parece não fazer sentido.
Mas se existe algo com sentido é a vida: nasce, cresce, floresce, resplandece e, quando sábia, renasce. O caminho da vida não se traça a direito.
Tem muitas curvas, obstáculos, paus, pedras, águas, algumas encruzilhadas e até montanhas.
Mas... precipícios?!
Quando nos falta o chão quem nos ensina a voar?

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O sorriso do sol


O sol sorriu-me hoje ao iluminar-me os olhos através de um gesto de uma criança: fez-me adeus do outro lado da rua, pequenina a andar saltitante ainda, abanando o seu pequeno pitote e,  do nada, ergueu a mãozita para acenar-me. Pus o meu melhor e sincero sorriso e retribuí o gesto. Afinal, Deus fala....

quinta-feira, 16 de julho de 2015

De cara para a parede


Ouve-se o grito do silêncio
nas palavras mudas.
Sente-se o gesto tolhido dos dedos
presos na planta da mão que secou:
sem apontamentos, sem verso livre, em branco.
Só o corpo mole, entorpecido,
gaseado de ócio, lubrificado de não presta,
metamorfoseando sentidos,
germinando alegorias,
congeminando metáforas.
 
Ainda não é tempo para uma ode triunfal!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

E agora?


 
Sentamo-nos como crianças,
à beira do caminho,
suando e torcendo as mãos nervosas,
ansiosos à espera,
com o curioso olhar
de quem fez tropelias e aguarda um responso.
E os sonhos?
E os desejos?
Levantamo-nos e continuamos o caminho.
O horizonte nos aguarda
e o sol sorri numa nesga por entre as nuvens.
Iremos até onde nos deixarem ir.
Fazer o quê?!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Estar à altura


 
Hoje deram-me licença para voar.
Tenho poucas horas de voo, mal sei ainda abrir as asas.
Mas já decidi... vou pousar em cada nuvem, devagarinho, para ganhar fôlego e alisar as penas que se possam eriçar com o vento e sorver do ar a força
para abraçar o horizonte.  
Voarei depois até ao arco-íris...

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Suspensa (fora do Tempo)


No desacerto do compasso das horas,
escorre o tempo que me arvora,
marca, reprime, sangra.
Como cinta que suporta a roda,
taça oca, vazia de nada
à deriva na cósmica poeira.
Suspensa...
 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

terça-feira, 7 de julho de 2015

Patientia

Quando se espera o tempo parece demasiado lento.
A nossa paciência fica sensível, mais ainda que o habitual. Porque, diga-se em abono da verdade, ela já não é muita e, ainda por cima é pouco tolerante.
Que dizer?
É uma das sete virtudes que devemos ter. Ou cultivar  Nascemos com tantos trabalhos... homem, mulher (com mais ainda por acrescido à condição), ser social, trabalhador, empreendedor, forte, tenaz, perseverante, honesto, amigo, generoso, humilde e, feliz!
Os trabalhos e os dias do caminho que temos de peregrinar desde que saltamos do carro das almas até que voltemos a ser  de novo centelha divina.
Feitos à semelhança, com poderes criadores, vamos construindo o nosso eu numa casa herdada,
com genes que com a idade  vão refinando,
tecendo à nossa volta uma teia laboriosa e intrincada,  onde muitas vezes somos apanhados, 
qual armadilha ardilosamente montada e de onde,
 muitas vezes,
não conseguimos escapar.
Morrendo ou fazendo-nos morrer nesse labirinto em que nos tornámos.
E para isso não nos faltou engenho e arte e... tempo.
Haja paciência!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Testamento vital


Quando morrer, deixo tudo.
Deixo tudo que teve valor
(não roupas...sapatos...livros...os pertences de uma vida).
Deixo impressos rostos que me perpetuarão no futuro,
deixo vazio o corpo moldado de amparo por tantos anos e,
 deixo as minhas palavras:
aquelas que me habitaram
vivas, doentes, prenhes, felizes, sofridas.
Agora, libertas de mim,
serão apenas grifos alados de uma história da princesa
que fui e vivi.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Interlúdio...




"Enquanto faço o verso,
tu decerto vives
trabalhas a tua riqueza,
e eu trabalho o sangue."
 
                         Hilda Hilst

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Feitiço


Determinado,  o rio  nasce a fio e percorre o estreito e sinuoso caminho até ao leito onde se dá ao mar, não sem antes se engrossar na lezíria, espraiando-se dourado a oriente e abrindo o ventre a quem lavra caminhos entre margens ou continentes. 
Do alto da minha torre de vigia admiro o rio que corre ladeiro e calmo para os braços fortes e vigorosos do mar que o acolhe,  que o enleva e abraça em ondas lânguidas e apaixonadas, fecundando-o,  galgando-o em marés de sal salteadas de brisas e ventos poentes. 
Todos os dias, ao fim da tarde,  o clímax do sol  mergulha voluptuosamente na toalha de água que ambos lhe estendem e nasce a prata luz, por vezes redonda, daquela que é amiga e companheira da noite que enfeitiça quem para ela olha.
Lua que vagueia pelos quartos e brinca ás escondidas e, em dias de vaidade extrema,  se contempla no espelho de água serena e tranquila, iluminando a noite dos amantes.
Nesses dias, somos feiticeiras.