quinta-feira, 30 de abril de 2015

Desculpa



Desculpa-me, pai das minhas palavras,
a luz baça que as alumia,  que
cavalgam o meu peito sem rédeas 
e sem freio, furando as entranhas
aonde as escondo.
Em tropel as solto, em fórmulas mágicas
de sentido, com sentidos e sem eles,
anátemas de sentimentos, topos de tudo,
amálgama de signos e de nada.
Largo-as! Correm livres, sem retorno.
Órficas...   

quarta-feira, 29 de abril de 2015

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como se tudo fosse de todos

e todos não fossem de ninguém

onde as possessões não fossem direitos

e os deveres fossem apenas vontades

terça-feira, 28 de abril de 2015

"Amo carnivoramente"


No entrelaçado
de pernas e braços,
sorvo-te a língua,
bebo-te os olhos,
roo-te as mãos,
beijo-te a pele,
a carne e osso.

Em cada curva
cravo nos poros
os dedos, as unhas
e os cabelos enxugam suor
e  água que cresce na boca,
na minha boca ao te amar assim
... carnivoramente!

segunda-feira, 27 de abril de 2015

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Penélope


Pousa a tua cabeça
na almofada dos meus braços,
Serei sempre teu regaço,
porto de chegada e de partida,
salvo-conduto de ti.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

terça-feira, 21 de abril de 2015

Confissão


Não sou grande nem sequer tenho pretensões a sê-lo, acho que sempre fui do meu tamanho e não mais que isso. Quem me conhece sabe que não calço os sapatos dos outros e que nunca sobrevalorizo a minha pessoa.
Mas, pelo vistos, ás vezes ponho-me a jeito.
E Deus, que sempre me acompanha e vela por mim, para minha grande graça, na sua lisura imensa, sempre encontra forma de me meter no caminho e de me remeter à culpa, não me vá eu arvorar em flor ou astro.
A injustiça feriu-me, muito. Ontem pôs-se-me um sol...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Alegoria do Quadrado

Sólido geométrico com quatro lados iguais, tem quatro ângulos rectos, pode ter  a forma de um losango e poderá conter uma circunferência inscrita cujo diâmetro é a medida dos seus lados. 
Pode ser perfeito.
Podemos ter um quadrado mágico de progressão, imperfeito, hipermágico ou diabólico, dependendo das suas singularidades.
É uma figura estática na simbologia, que pode representar os espaços sagrados, os pontos cardeais ou o cosmos na tradição cristã.
Interessante!
Apesar de iguais,  os seus lados podem ter faces diferentes e os seus ângulos rectos podem ter várias  intersecções de arestas, que ainda são umas quantas  e  quatro vértices a limar.  
Quem afirma que é "quadrado" e confinado ao espaço delimitado por quatro linhas rectas,   não tem noção do interseccionismo do cubismo narrativo do mesmo.  E piora se o pintar de azul...   

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Loucura


Nasceste-me órfã.
não sei como chamar-te
não sei o que te dizer e,
no entanto, cresces
inominada e incógnita.
Forte e fecunda.

Afogar-te-ei um dia.
Prometo!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Dias


Hoje, perdi-me!
Precisei sentar-me
com a minha alma nos joelhos.
Convenci-a a ficar...
Tinha-me confessado a sua vontade de partir...

terça-feira, 14 de abril de 2015

Memorial


Nasceu por dentro de mim
primeiro como menir
grotesco e disforme
que rompe a paisagem.
Em cada dia
acrescem-lhe pedras,
que erigem altura e forma:
coluna grega-romana, una
que rasga o céu e a garganta.
 
Continua a crescer em fúria.
Terá o nome que lhe quiser dar...

Pintura de Frida Kahlo

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Rio


O rio que me atravessa a Alma,
cordão de prata em filigrana,
não pode ainda ser cortado:
existe, ainda, uma parca distância até à foz...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Castelo


Vivo no meu castelo.
 Não é de cartas, nem de fantasia, é um castelo que ergui forte, a pulso, com tudo o que tinha: sangue, suor , lágrimas e algum amor -  o próprio nunca foi muito - o suficiente para a demanda da construção da casinha.  Cada ala, cada porta, janela ou recanto, foi enfeitado, pintado a  gosto, com dedicação e carinho. Nalgumas paredes investi papel, forrando a padrão florido algumas marcas que o tempo teima em criar. Mudei as cores, troquei as cortinas e investi noutra mobília mais clean e depurada nas formas. Descompliquei, acho, porque os anos vão passando. Neste meu mundo habitam sorrisos, de todos quantos o meu coração ama, abriga, acolhe e relembra. Todos! Recebo-os no meu castelo de braços abertos, de alma retemperada pela gratidão de me quererem tão bem. E sou feliz no meu reino!
Sinto-me rainha!
Porém, algumas vezes, o sol não surge no horizonte, risonho e quente. Um nevoeiro diáfano, matreiro e espesso insiste em rodear o castelo, qual monstro assustador que tenta roubar a felicidade alheia. Tenho guardada uma espada especial para monstros, mas por falta de muito pouco uso, não consegui ainda desembainha-la.
Esqueci a palavra mágica!
Anotei num pequeno papel que arrumei num qualquer lugar que ainda não descobri.
Upss! Também tenho defeitos: esquecida, desarrumada e muitos caracóis, mas sou voluntariosa: hei-de encontrar o papel.

quarta-feira, 8 de abril de 2015