quarta-feira, 11 de abril de 2018

Choupal



Todos os dias te entrego em desalinho
o corpo de olhos fechados
galgando açudes, planaltos, margens,
paisagem escura ao peito
entre raízes, troncos e copas caducas
à procura de âncora na luz do teu sorriso 
no calor dos teus braços 
que me sustêm e prendem ao leito para
por fim confiares-me ao mar, meu destino.


quarta-feira, 21 de março de 2018

Poesia


Do nada
surge a necessidade de semear palavras
lavrando o papel a tinta permanente
sulcando a inquietude na alma
e o desassossego no coração...
e o nada
transforma-se em tudo
em água, em sangue, em pão
razão de ser, fogo, brasa,
asa de liberdade, semente,
flor, sorriso, bastão.

Poesia...absolutamente!

terça-feira, 13 de março de 2018

Prender-te-ei




A chávena de chá exala a doce cidreira ou a bela luísa, empurrando o frio.
E as palavras dançam com os olhos no palco branco guardado por portas espessas.
As letras formam palavras, como etéreas cortinas à boca de cena...
A cada página, em cada virar de folha, o ponto diz as deixas...

Ainda não floriram os jacarandás...
Talvez ainda, as laranjeiras não tenham flor e o seu cheiro ainda não carregue o ar...
Provavelmente, os rios ainda levam muita água e o vento fustiga as árvores arrancando folhas...
É ainda possível que o mar  se agigante em mostrengas ondas...

O carreto desenrola o fio, dando largas à rédea solta da trama que enleia e absorve,
fixando imagens como fotolitos cravados em chapas
memorando instantes, vislumbres para sempre fixados, em cada vez que se abra de novo as portas...

- Prender-te-ei... !