terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Crónica real


Gostava, meu rei, de ter o castelo sempre arrumado, limpo e a brilhar como deve ser um castelo digno de um rei.
Gostava , meu rei, de ser uma mãe extremosa e competente, de ser uma anfitriã atenta e afável, ser uma companheira de armas e bagagens e de simples passeios à beira-mar.
Gostava, meu rei, de afastar tudo o que possa abalar nossa paz e sossego, de expulsar demónios, dragões e caloteiros do teu caminho, de estender o tapete vermelho por onde quer que passes e honrar-te e venerar-te o mais que possa.
Contudo, com tanta madrinha, tias , avós e demais família, nenhuma me ofereceu para o enxoval, uma varinha mágica.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Pudesse eu


"Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Pra poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes."

                                             Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Ondas


Nas ondas do meu cabelo cavalgamos, amor,
em vagas de paixão e marés de espanto.
Espraiamo-nos na espuma da areia que nos acolhe
e o sol nos lambe a pele.
O tempo pára e os nossos corpos são con(m)sentidos.

Estrela do mar-céu

Da minha janela vejo o mar.
Mar-espelho, Mar-chão, Mar-imenso.
Mar-enorme, Mar-mundo, Mar-abraço,
Mar-solidão, Mar-vida, Mar-caixão.

Da minha janela vejo o céu.
Céu-azul, Céu-profundo, Céu-nublado,
Céu-pumbleo, Céu-carregado, Céu-aberto,
Céu-estrelado, Céu da boca, Céu-celestial.

Espero que o céu ou o mar devolva a minha estrela...

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Horizonte

Na linha do horizonte caminho.
Com um pé à frente do outro, vagueio em mim.
Ardo na fogueira dos sentidos que me abrasa e envolve, 
onde me dou, entrego e deliro e o meu corpo se preenche 
em frémitos de alegria, compulsivamente… suavemente.
Encontrei os teus olhos.
Também eles vagueavam no horizonte.
Sentamo-nos.
Com os pés bamboleantes, trocamos e intuímos palavras.
As ideias partilham o pensamento. 
E os olhos se fundem , derretem-se 
em cores opalinas que reflectem a luz 
que chispa em cada piscar.
O silêncio instala-se e nos conforta. 
Basta-nos estar. Sermos.
Um (re)encontro há muito esperado. Pleno.
Gosto de ter-te a meu lado. 
Ofereço-te abraço-regaço-espaço… afago.
Mas, por momentos, apetece-me roubar-te …ou doar-me (n)um beijo…

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Idem



"Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara."

Eduardo Galeano

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Cuore

Já o terei dito. 
Escrito talvez.
 Gostava de ter o dom da palavra, não só na sua coloquialidade, mas também na sua assertividade. 
Até na palavra escrita sou pequena.
 Poder ter uma resposta, um conselho, uma palavra de incentivo, de esperança, a palavra certa. 
Isso não tenho. 
Mas tenho, isso sei e sinto, um enorme abraço, um infinito sorriso e uma disponibilidade imensa no coração, para escutar silêncios, estar do e ao lado, para ouvir desatinos e até confissões. 
Sou verdadeira, genuína e sincera.
 Estimo dedicadamente. 
Amo verdadeiramente. 
Entrego-me sinceramente.
 Por tudo isto, a todos os que me amam nas suas mais diversas formas, obrigada.
 Pela vossa aceitação das limitações que tenho, das faltas que cometi, das palavras que não disse. 
Porém, fica a certeza: o meu coração está todo (com)partilhado, 
mas caberá sempre mais alguém! 

Barbarbie

Passeia os clássicos pelo braço, 
escada acima, escada abaixo.
Declama Homero e as tragédias, 
fala do Olimpo, seus amores e suas leias,
Ulisses servia-lhe na perfeição: Prometeu acende-lhe o fogo, 
qual Pandora tentadora a atiçar seu coração.
Mas não há quem a entenda, pois não quer um homem assim.
 Tanta pergunta, tanta curiosidade, para quê?  Enfim...
Moça da cidade, gosta das luzes e do movimento, do bulício, do barulho,  da cultura que a viagem ateia.
Mas, pobre coitadinha, é tão feia...

Caminho


Começamos juntos o caminho. Éramos poucos.  
Nem faz tanto tempo assim...mas,  já houve quem tenha ficado pela estrada,
quem esteja  preso a amarras difíceis de cortar, outros ainda, em limbos complicados de ultrapassar.
Só ficámos nós. 
Por quanto tempo?
Por quanto tempo seremos companheiros de jornada, de fogueiras,de encontros e desencrontos,
numa busca de conhecimento que nos consome, nos traga e nos cansa, mas que nos agiganta e que nos molda, na busca das palavras que trazemos em nós.
Por quanto tempo?
Quanto tempo aguentaremos remar contra a maré?
Quanto tempo resistiremos? 
Por quanto tempo?
 E quantos de nós?  

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Descoberta fantástica


De nuestros miedos
nacen nuestros corajes
y en nuestras dudas
viven nuestras certezas.
Los sueños anuncian
otra realidad posible
y los delirios otra razón.
En los extravios
nos esperan hallazgos,
porque es preciso perderse
para volver a encontrarse.

                                                                             Eduardo Galeano

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Dias

Como um cipreste à beira do caminho, 
espero abnegadamente a tua vinda, 
para te sentares e retemperares forças. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Entre

Não sou nada e sou tudo.
Nada tenho ou possuo. 
Tenho em mim os sonhos que invento, imagino ou escondo.
Sou ponte entre mim e eu, onde não me encontro...

domingo, 12 de janeiro de 2014

Momentos...

                                                             
Instantes de felicidade: hoje acordei assim    

sábado, 11 de janeiro de 2014

Deuses...

Generosidade...
Uma qualidade importante, tão generosa na sua forma de dar, que me surpreende e fascina.
Ver pessoas que, pela sua grandeza de ser, espíritos ilustrados e sábios, se dão tão genuinamente,  que partilham experiências e pensamentos, que comungam com simples mortais, que nos amparam e incentivam, que caminham por instantes ao nosso lado, dando-nos o conforto do alento, da dádiva gratuita da comunhão, da partilha de ideias, esperando-nos no caminho, no nosso caminho que começou mais atrasado, felizes por nos esperarem, dando-nos abraços e palavras de incentivo e agradecimento, a nós simples mortais, só demonstra que, apesar de estarem na galeria do Olimpo, são também humanos...
Fica aqui o meu reverente agradecimento a todos aqueles anjos que acompanham o meu iniciático caminho.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Encontro

Encontram-se num rochedo no meio do mar.!
Uma sereia de longos cabelos ondulados, com uma cauda deslumbrante prateada, que refulge ao sol.
Gosta de brincar com as ondas que salpicam gotas de água
pelo seu cabelo parecendo pequenas pérolas,
que lhe enfeitam o rosto. Tem olhos cor de avelã e mel!
Uma sereia alada , com grandes asas de plumagem colorida
de azul céu, indigo e roxo, com laivos de oiro,
majestosas na sua formosura. Tem enormes olhos verdes penetrantes, sonhadores!
Encontram-se num rochedo no meio do mar!
Uma não gosta de nadar, a outra não gosta de voar!
Na impossibilidade de ser, encontram-se todos os dias, no mesmo local, à mesma hora e por instantes se esquecem de nadar ou voar.
No silêncio do mar, os seus olhos encontram-se e, num hiato de tempo cósmico, são apenas centelhas divinas à espera da ascensão e da liberdade de serem felizes...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

2+0+1+4=7

Sinto-me como uma folha em branco,
onde um caleidoscópio de cores pode surgir,
onde todos os riscos, traços, arcos, elipses,
geometrias, assimetrias e paralelismos podem acontecer.
E depois há as palavras que crescem, brotam e se insinuam,
que podem ser negras, azuis , verdes, amarelas, brancas,
dependendo do dia, da hora, do sentimento, da inspiração.
Mas, em tudo existe um coração, que bate, vive, grita e barafusta,
pulsa, sangra e ama, que por vezes se contrai, aperta, retrai e noutras,
abre-se,  sorri, abraça e vibra. E uns olhos que ainda se comovem,
emocionam, regozijam e choram com pequenas coisas, quotidianos que enternecem
e nos garantem que a felicidade está nas pequenas coisas, até nas invisíveis.
2014 chegou. Somando os números dá 7.  Número bastante propício. União do terreno com o divino.
Com a união dos elementos, a comunhão se inicia...
 Este ano promete! 
Eis-me aqui, uma folha em branco...