sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Que sei eu...



Fere como brasa em fogo,
avassala águas em lava incandescente.
Bafo pesado, arfante e raro.
Dilacera, fere e mata!
 
Hefesto! Mostrengo!
 
Que sei eu o que me habita...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Nunca esquecer...




Porque não se deve NUNCA esquecer o dia de ontem, o de hoje e o de amanhã,  relembro a capacidade criadora do homem, feito à semelhança de Deus, com o poder da Palavra e do Livre-arbítrio.
Porém, muitas vezes, a Loucura está à mão...

A MÃO
Vinte e sete ossos,
trinta e cinco músculos,
cerca de duas mil células nervosas
em cada uma das pontas dos cinco dedos.
É quanto basta
para escrever Mein Kampf
ou A Casinha do Ursinho Puff.    
                                                                                 (Wisława Szymborska)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Desconexo implexo




No nexo sem nexo-inflexo de mim
em amplexo convexo de ti,
sou reflexo-espelho desnexo,
solar plexo complexo, perplexo
anexo irreflexo... biconvexo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Porto de abrigo



No teu abraço
ancoro o meu batel
carregado de negrume
dos vulcões eruptivos
de destroços agonizantes
que no meu peito florescem...
És porto de abrigo
de naufrago secular à deriva.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Canto de sereia

"Deve existir algo estranhamente sagrado no sal: está nas nossas lágrimas e no mar... " Khalil Gibran

        Há algum tempo dou por mim a pensar na vida, não no que me deu, transformou ou deixei de ter, mas no âmbito da existência, naquilo que sou ou,  que me transformei e,  no que serei.
        Não numa perspectiva de "quero fazer isto ou aquilo" ou "gostava de", mas projectando como serei e,  como lidarei com a incapacidade e a falta de autonomia física e económica.
        É que prezo tanto a minha (pseudo)independência, que o simples facto de não poder decidir e fazer o que bem me apetece, no esvaziar de sentidos, porque já não somos precisos e não podemos bastar aqueles que de nós já dependeram, perspectivar o futuro com os anos que poderei vir a ter, causa-me alguma apreensão.
       Não me preocupa as rugas ou a perda do viço, preocupa-me sim,  é  não saber como me irei aturar, se já agora me aborreço comigo mesma.
        Como conseguirei lidar com as ausências, que já agora tanto me perturbam, não dos que são  e estão presentes, mas daqueles que já partiram e que, de uns tempos a esta parte, se fazem sentir cada vez mais. Será algum (en)canto que começamos a ouvir interiormente, como um código genético emocional que se revela após o pico máximo da existência e aflora, cresce e se transforma naquele aperto de coração, em pequeno rasto de sal.
         Terei de controlar melhor a tensão...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A máquina do meu mundo...

 
 
Em plena época de defeso, o quotidiano, agora, ficou diferente.
Chego a casa mais cedo e encontro uma casa à minha espera, de braços abertos.
Não que nos outros dias não o faça, apenas não lhe  ligo ao piscar de olhos que me deita.
  E transformo-me em Luísa, Ofélia,  Ramsay, Macnamara e,  por fim, Afrodite.
Sou uma mulher de muitos ofícios a tentar zelar para que a engrenagem da máquina do meu mundo não emperre. Só me falta o bigode... 
Viva os tempos modernos! 



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Palavras




Tenho palavras penduradas nos olhos, escondidas na boca,
guardadas no coração, presas nos dedos...
Serão sempre  palavras...
mas tão minhas!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Liberdade...


                                                 ...Liberdade...Igualdade... Fraternidade...
????


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Em branco...




Porque não entregar o coração como  tela em branco
à espera de uma inscrição, de um nome, de um rosto?!
 
Porque não abrir a alma à insustentável leveza de ser?!
 
 


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015