quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Concha

 


   Encosta-me ao teu ouvido...
ouvirás o canto do mar
na voz das sereias que habitam
 o meu peito...

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

(in) Existência


Existir é tanto ser como não ser.
A privação de pensarmo-nos por dentro
é que nos aniquila.
Ainda bem que estou doente! 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Travessia



Nos dias em que partes
a fazer ninho noutros lugares
enfeito o meu beiral de lágrimas,
prismas de luz que te guiam
para onde tens de chegar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Nada




"Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias"
                                  Eugénio de Andrade

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Red shoes



Cheguei e bati à porta. Tímida, muito timidamente.
A jornada tinha sido trabalhosa e difícil, embora feita a eito e com empenho. Desta vez,  feita por vontade própria e com uma tenacidade que desconhecia. No caminho das improbabilidades o rumo seguia a direito nas palavras. Sempre as palavras. Que me rondaram, viveram e me habitaram mesmo quando delas me esquecia ou ignorava, calando-as muitas vezes, sufocando-as outras na mudez que por vezes me assola. Chegada aqui, era imperativo bater à porta.
O castelo é enorme, grande e majestoso. A porta imponente, trabalhada de saber, aparenta cada lágrima, cada gota de suor e sangue de todos quantos a fizeram e sustenta o peso douto de tudo quanto carrega, da semente á flor, da haste ao tronco, dos ramos à folha, da terra ao sol.
Abriu-se a porta.
Uma luz intensa inundou-me os olhos. Presa ao chão com o receio do caminho,  sinto frio.  Por dentro,  oiço as palavras de incentivo que já me tinham dito mas que teimo menosprezar. Eu?! Eu não fiz nada. Apenas sigo. Uma intuição que é maior que eu e me arremessa para um desconhecido, talvez já percorrido mas seguramente traçado, que me impele a ir. 
Procuro na cegueira um corrimão. Porém, pelo sim pelo não, calcei os meus sapatos vermelhos...
 
  

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Ele há dias...



Hoje o corpo-copo está meio cheio...
preenchido de sublinhados, notas e vírgulas
que pontuam o vazio, sem esquecer as reticências!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Foi neste setembro que os anjos ganharam asas!



Setembro...
O fresco da noite antecipa o tempo que se adivinha,
no resgatar dos dias das estações que marcam o compasso e
a luta diária da rotina que assina os nossos passos.
Setembro...
Mudam as cores das folhas e muitas perecem no embalar do vento
dando lugar ao pousio da vida que se irá fortalecer, crescer, nascer
de novo, brotar e florescer noutro tempo, noutra estação-apeadeiro
da nova existência que se segue.
Setembro...
Fim de ciclos, de etapas, de possíveis e impossíveis
momentos e instantes passados, felizes ou menos bons,
de exames, de provas, de metas conseguidas, vencidas, ganhas
e de muitas conquistas temperadas e provadas no sal da alma.
Setembro...
Estendemos braços para alcançar novos projectos, novos caminhos
e alargamos abraços para poderem conter todos os que nos habitam
por dentro e por fora, na longa distância do espaço que nos separa o corpo
mas funde a alma em uníssono pensamento de amor e saudade.
Setembro...
Nos idos deste,  novos caminhos se abrem, novos horizontes se alargam.
Novos desafios aceites,  percorrendo novos trilhos traçados e feitos sonhos
numa imensa estrada de tijolos amarelos...

Foi neste setembro que os anjos ganharam asas!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

M_rte?




Porque há dias assim?
Mal acordamos levamos um murro no estomago...
A dor, o enjoo, o nojo, a repulsa, a revolta,  a impotência,...
 
Que planeta é este?!

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Ipso facto


Nas paredes do sangue escorrem lágrimas que gritam
rasgam sulcos nas teias das veias, nas ventas da pele, na carne da língua, no veio do corpo.
Soltam pingos de sal, pitadas de dor, correntes de lava que roçam, queimam e agarram o gesto,
a mão, os olhos.
Labaredas de angústia escondem-se nas dobras das pálpebras e prendem cristais de água,
poliedros de luz  que fulminam e matam a esperança que desagua... em ti.

Fica por dizer tudo o que se afoga na garganta,
que se afaga em dedos que se tocam crispados, sonsos e sem tacto.
Procuram a prega, a marca, a raiz do mal que engasta, encrasta,
germina e cresce na imagem que flutua... em ti.

Telhas de vidro-pensamento,
querer-te, perder-me e achar-te,
sentir-te mais que a tudo, a mim, à vida, à morte, ser eu e nada... em ti.

Pouso o dorso no leito vésperas horas completas
amanso a ânsia no peito,  me entrego à curva da vida, do tempo, à estrada...
É em ti que eu me esperava.