terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Fecho de contas


      Este ano que agora se cumpre, encerra para mim com saldo positivo. E como todo o resultado tem de ser demonstrado, aqui segue o argumento (pensavam que era números, hã?!):

Fui feliz! Amei e fui amada!
Beijei, abracei, afaguei e consolei!
Chorei, sofri! Trabalhei, estudei!
Descobri coisas novas, realidades paralelas,
pessoas e afinidades, mundos novos, músicas, palavras.
Morri, renasci, reergui-me,construí-me de novo. 
Tive uma vida plena, cheia.
O caminho fez algumas bifurcações, encruzilhadas e cotovelos,
mas teve sempre uma luz a piscar, não lá no fundo ou no horizonte, mas dentro de mim!
Desejo que o próximo ano seja igual a este!!!

        E a provar que a vida é um eterno recomeço,  numa viagem que nos leva ao infinito de nós, ontem, quando estava à espera do autocarro,  voltei a ver um esquilo, a fazer tal qual como o outro que partiu. A natureza, deusa-mãe, mestre, envolve-nos sempre no seu regaço e insufla-nos o sopro de vida e de alento  para continuarmos sempre no caminho... 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Torre de Marfim



Fechada em mim
olho-me por dentro
e por entre as pedras
encontro um raio de luz
que espreita e brinca
trazendo um sorriso no breu do meu peito.

Espero encontrar-te também...



sábado, 28 de dezembro de 2013

Ainda não me perdi...




Gastei uma hora pensando um verso que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro inquieto vivo.
Ele está cá dentro e não quer sair.
Mas a poesia deste momento inunda minha vida inteira.                                                                               Carlos Drummmond de Andrade



     Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade.

Sophia de Mello Breyner

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A metamorfose da monarca...



A casa dorme.

Em silêncio vagueio pelos corredores da alma.
Assalta-me a mente, os trabalhos e os dias
em epopeia árdua,  luto com as palavras que
brotam, nascem, queimam...
preciso soltá-las, libertá-las, fazê-las nascer
tomarem forma, deixá-las voar...
Escrever, agora, tornou-se urgente, necessário.
As ideias fervilham, impõem-se... não sei se a loucura me invade...

Sofro? não,
somente a espera foi longa, talvez não vá a tempo...
mas a possibilidade de ser, de criar está cá dentro... tardou a chegar?
Eu, talvez,  não tenha aberto a porta mais cedo.
Medo? sim de mim!

E as ausências...cada vez mais sinto-as,  com a carne...
Fazem-me falta os abraços, o olhar, o estarem presentes...
São já alguns os que me acompanham em espírito e, os outros...
aqui,  presentes-ausentes nesta fogueira que consome entranhas, sossegos e paz,
onde o perto por vezes é longe, e a solidão grassa num bando de gente,
não conseguem esquecer a falta.

Saudades...





terça-feira, 24 de dezembro de 2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Ipsis verbis / Ipsis litteris

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

(Fernando Pessoa)

domingo, 22 de dezembro de 2013

Boca



Gosto da boca, da boca que fala, 
que em biquinho se oferece, beija
da boca  que trinca, morde, lambe,
da boca que chupa, engole, come
da boca que ri, chora, grita, fere
da boca que grunhe, resmunga, blasfema, 
da boca que reza, canta, elogia 
da boca que respira, arfa, suspira
da boca que no fim se fecha e morre.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Metamorfose esdrúxula


Extravagante e esquisita mudança de forma de estrutura e de crescimento.
Diferente é o que fui, sou e serei.
No fim,  quero ostentar com orgulho as minhas asas,
esticá-las com convicção e certeza
de uma obra quase prima.

Príncipe

Era de noite quando eu bati à tua porta
e na escuridão da tua casa tu vieste abrir 
e não me conheceste. 
Era de noite 
são mil e umas 
as noites em que bato à tua porta 
e tu vens abrir 
e não me reconheces 
porque eu jamais bato à tua porta. 
Contudo 
quando eu batia à tua porta 
e tu vieste abrir 
os teus olhos de repente 
viram-me 
pela primeira vez 
como sempre de cada vez é a primeira 
a derradeira 
instância do momento de eu surgir 
e tu veres-me. 
Era de noite quando eu bati à tua porta 
e tu vieste abrir 
e viste-me 
como um náufrago sussurrando qualquer coisa 
que ninguém compreendeu. 
Mas era de noite 
e por isso 
tu soubeste que era eu 
e vieste abrir-te 
na escuridão da tua casa. 
Ah era de noite 
e de súbito tudo era apenas 
lábios pálpebras intumescências 
cobrindo o corpo de flutuantes volteios 
de palpitações trémulas adejando pelo rosto. 
Beijava os teus olhos por dentro 
beijava os teus olhos pensados 
beijava-te pensando 
e estendia a mão sobre o meu pensamento 
corria para ti 
minha praia jamais alcançada 
impossibilidade desejada 
de apenas poder pensar-te. 

São mil e umas 
as noites em que não bato à tua porta 
e vens abrir-me

Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"

Nunca um poema de outro me serviu tão bem. Parece-me um vestido feito à minha medida. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Espelhos de alma...


Moldei-me do barro com minhas próprias mãos, 
formei recantos, curvas, refegos e pregas que só eu sei, 
velados, recônditos, redutos de mim.
Podia ter-me feito perfeita, imaculada, bonita, 
mas fiz-me inteira, feliz e engraçadinha.
Tenho dias de sol e muitas noites com estrelas e lua cheia.
E sonhos.
Bons, maus e até pesadelos.
Mas,  o que tenho de melhor
são os benévolos olhos de quem me vê como sou
 e que me ama,  incondicionalmente...  

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Abraço



Estavas a dormir,
entrei pela janela do teu peito,
acoitei-me no canto ao lado do teu coração...
pulsava... afanosamente toava o compasso da vida,
definitivamente é aqui que quero estar.
Na muralha do teu corpo,
sinto-me donzela protegida.

Deixa-me ficar!
No calor do teu abraço...
Deixa-me ficar aqui!

Novelo

Eis como me sinto...
sem ponta por onde pegar,
amalgama de fios e nós...
esperando dedos de fada para me libertar... 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Solidão



No desesperado cais de sempre, espero-te;
no horizonte, prenhe de futuro(!), vejo em tela funda cinescópio de vida.

O vento sopra... cheiro-te,
a tua presença insinua-se-me.

Os raios da aurora violácea dardejam, o mundo torna-se redondo!
No infinito, desenhos de luz fazem esquiços fugazes de felicidade,
a que se foi... a que passamos...

E tu? ... continuas ali, ao longe...
Não voltas, eu sei... sempre o soube, sempre...

... Com(n)tudo... continuo à tua espera!


domingo, 15 de dezembro de 2013

sábado, 14 de dezembro de 2013

Voar

Ontem soltei três pombas de mim ...
deixei-as voar no seu caminho, são jovens...lindas...
promessas de um futuro brilhante... promissor
o mundo as espera... foram as minhas meninas... 
mas irei sempre vê-las... 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Ao meu amor...


Temos um tempo breve para amar
e todos os dias, à mesma hora,
é o deflagrar dos corpos à distância.


Queria que ficasses
naquele olhar
a caminho da curva 
do meu ombro.
Eduardo Pitta 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Metáfora


        Escrevo para fora: 
 Costuro ideias e alinhavo metáforas.
      Corto Versos. Bordo babados.

       Rasgo sedas e verbos

sábado, 7 de dezembro de 2013

Red shoes


Peguei na tua mão... abracei-te...
tento sacudir as dores que te fustigam o peito,
a nuvem negra que paira sobre ti, que goteja...
Impotente não a consigo afastar...
Quero lutar contigo contra os tormentos que te roem,
pintar-te nos olhos raios de sol que te possam iluminar por dentro,
quero que calces os sapatos vermelhos e venhas comigo...
irei mostra-te o arco-íris e dizer-te que no final do caminho
há um mundo melhor, onde os espíritos são livres, voam e são felizes!
Quero construir-te uma estrada de tijolos amarelos,
onde a esperança emoldure o teu sorriso e a felicidade te abrace.
Quero levar-te ao meu castelo de sonhos,
onde tenho um jardim de rosas, de rosas de todas as cores, 
que desenho todas as noites quando fecho os olhos.
Faço borboletas, colibris e libelinhas que borrifo com o pó das estrelas, para brilharem.
Vem visitar-me todas as vezes que te sintas só.
Posso não ter palavras para te dar, mas ofereço-te sempre o meu coração e,
nos meus olhos poderás ver, sempre também, o meu amor.
Quero-te muito!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Creio que o amor tem asas de ouro



Creio nos anjos que andam pelo mundo, 
Creio na deusa com olhos de diamantes, 
Creio em amores lunares com piano ao fundo, 
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes, 
Creio num engenho que falta mais fecundo 
De harmonizar as partes dissonantes, 
Creio que tudo é eterno num segundo, 
Creio num céu futuro que houve dantes, 

Creio nos deuses de um astral mais puro, 
Na flor humilde que se encosta ao muro, 
Creio na carne que enfeitiça o além, 

Creio no incrível, nas coisas assombrosas, 
Na ocupação do mundo pelas rosas, 
Creio que o amor tem asas de ouro. Amén. 


Natália Correia

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Mare meum


Esperavas-me. 
Demos as mãos.
 Levaste-me a ver o mar. Já te havia pedido...
 Ouvir as ondas e as gaivotas... 
Na espuma branca revolta os nossos sonhos. Ou,  pelo menos os meus... 
Ofereces-me uma pequena pedra que apanharas na areia. 
Tem a forma de um coração. 
É linda! Guardo-a carinhosamente... 
A brisa envolve-nos e acaricia-nos num êxtase pleno e fecundo em sintonia com o universo.
Inspiro o prana marinho com uma saudade antiga, de outrora...
Caminhamos, o mar lambe-nos os pés com doçura...são beijos dados com pepitas de sal.
A maresia salpica-nos a pele. De repente, um marulhar agitado. A minha cauda teima em não sair da água...
Sinto-me em casa...

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Stella


Sigo-te o rasto... presa à cauda da tua estrela...
o teu brilho não me ofusca, pelo contrário...
irradia-me... ilumina-me...
cintilo como um  raio de luz pequenino que te espera...
deito-me no teu regaço, sorvo a força que generosamente me dás...  
perco-me! 
É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela.
-- Friedrich Nietzsche