terça-feira, 1 de setembro de 2015

Ipso facto


Nas paredes do sangue escorrem lágrimas que gritam
rasgam sulcos nas teias das veias, nas ventas da pele, na carne da língua, no veio do corpo.
Soltam pingos de sal, pitadas de dor, correntes de lava que roçam, queimam e agarram o gesto,
a mão, os olhos.
Labaredas de angústia escondem-se nas dobras das pálpebras e prendem cristais de água,
poliedros de luz  que fulminam e matam a esperança que desagua... em ti.

Fica por dizer tudo o que se afoga na garganta,
que se afaga em dedos que se tocam crispados, sonsos e sem tacto.
Procuram a prega, a marca, a raiz do mal que engasta, encrasta,
germina e cresce na imagem que flutua... em ti.

Telhas de vidro-pensamento,
querer-te, perder-me e achar-te,
sentir-te mais que a tudo, a mim, à vida, à morte, ser eu e nada... em ti.

Pouso o dorso no leito vésperas horas completas
amanso a ânsia no peito,  me entrego à curva da vida, do tempo, à estrada...
É em ti que eu me esperava.