sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Shining stars...

às vezes fazem por passar esquecidos aqueles que de facto importam...
mas há sempre quem se lembre e isso é o que os faz diferentes e muito maiores,
porque vivem no nosso coração e não nas aparências...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Fascinação

                                                      


                                                        Os sonhos mais lindos sonhei,
De quimeras mil um castelo ergui.
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão mil venturas previ.

O teu corpo é luz, sedução,
Poema divino cheio de esplendor.
Teu sorriso prende, inebria e entontece,
És fascinação, amor.

15.12.1984

domingo, 23 de outubro de 2016

Nirvana



Quando o sol nasce
e a mão ávida e viva
procura formas e sentidos...
seguras e guarda-la junto ao peito
e dizes:
- Quero-te assim, aqui, sempre!

sábado, 22 de outubro de 2016

"Porque luzes?" *



Espero-te à boca das noites!
Porque me iluminas o rosto e
me acendes luz por dentro!
Deito-me contigo - pensamento
e, na pele, deixas-me o gosto
dos teus sonhos como açoites...


* Fábula Marquesa de Alorna
* Imagem Foto Yume Cyan - Floresta em Nagoya City - Pirilampos

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Desumanamente

ao linho liso da areia
coze-se a seda pura do mar
na orla
bordam-se cornucópias de espuma
sob o manto de veludo do céu
matizado
laranja - roxo, ouro e prata
e as minhas mãos
-desumanamente- 
apanham conchas 
prendendo-as em colar
fiando pedras ao rosário
torcido em nós
de carne viva

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Campanário



Quando o meu mundo se agiganta
em grilhetas e ignomínias,
banho as meninas dos meus olhos
e enfeito castelos
com flores de sal.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Verão




És tu que me habitas todos os dias,
a quem dou as mãos
e confio
os segredos que guardo do vento
e partilho
no caminho do rio que nos percorre,
tu a oriente eu a poente, sol e lua
 ilha onde despidos de tudo
sonhamos,
na janela do tempo-hiato, 
istmo
onde nos despedimos do verão.
Somos asas... de nós apenas.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Atlântico


Sim amor, fomos ver o mar.
Continua a tecer na renda branca
o movimento ancestral do tempo...
E como é fugaz o tempo!
A opala cor que trajava hoje
estava ornada de pequenas pérolas
que o vento brando formava...
Estava na vazante,deixando rasto
na areia firme e dura, que beijava
insistentemente...
Também os teus beijos são sal
na flor que os teus lábios trazem
à paixão que me incendeia e
que deito nas águas, serena,
na dimensão que os olhos alcançam.

Serei feliz, sempre, amor,
de toda a vez que vier ver o mar!

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Fábula



Teço as palavras que das mãos nascem 
- fios 
e nos olhos fixo sentido 
ao caminho singular no branco leito,  

olhando as estrelas... ursas, cães, peixes,
corvos, pombas, baleias, mitos, raro cruzeiro

e no regaço torço,  em nós cegos 
os dedos ansiosos
do desassossego urgente do tempo:

Serão rosas, serão rosas senhora!
 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Amores perfeitos


Quais os amores que serão  perfeitos?
Até no mais filial, mais casto, 
platónico, altruísta, abnegado, 
maior que o mundo,
incondicional,
por vezes, 
nascem pérolas.  


Imagem: Giovanni Boldini (1842-1931) Viole del pensiero 1910, 46 x 66 cm. Col. Boldini, Pistoia Italia.

sábado, 6 de agosto de 2016

Jacarandás



Ainda que os sonhos possam não se cumprir
e as memórias sejam a realidade,
teremos sempre o sorriso dos jacarandás.

terça-feira, 2 de agosto de 2016




Na cesura do verso
alexandrino cai a rima,
a métrica em redondilha,
menor,  tão pequena, tão nada 
que o verso na dobra
vira sílaba condensada,
mínima, nota apenas.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Linhas tortas



Ai este meu jeito de ser!
Que se perde e afunda 
por não querer
o caminho estro, funesto
da solidão.
Os dedos têm asas e
penas lustrosas
que nascem livres
em letras que tanto gosto.
Formam palavras, frases sem sentido
plenas de amor, ódio, confusão.
Nós.
E se o verbo não abona ou carece de inspiração,
fica o grito preso na folha,
pendurado nas  linhas tortas que me atam o coração.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Mariposas



Na enseada dos teus braços,
mar sereno e tranquilo,
mergulho o coração ao peito
e afogo as mariposas que não sabem voar.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Tronco


Bebo-te a seiva,
sémen de vida
à boca das palavras
e nas mãos moldo as asas
do corpo fugitivo
que não se prende às teias da vida 
mas que enraíza no chão. 

terça-feira, 19 de julho de 2016

Muito



Ainda que o muito seja pouco e o pouco seja o muito 
de tudo quanto possa ser nada, o muito de nada poderá 
ser o pouco de tudo do muito que podemos ter.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Procela


espero-te
no horizonte das palavras
e no limiar do sorriso
espero-te
na veleidade de remar marés
 contra ciclos lunares
espero-te
ainda que o verbo seja o principio
 a esmo, a eito, fuga, ermo,

espero-te

...no fim e
 ...ao cabo das nossas tormentas



Imagem: "la tormenta en el mar de Galilea" de Rembrandt. "

domingo, 26 de junho de 2016

Asas




Tenho asas... nos dedos
que voam
das mãos... saudades
que gritam
nos olhos... sonhos,
que povoam
na boca... palavras
q
u
e
queimam.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Inevitabilidade



Deslizas pelos dedos
e eu, sem querer, pressinto o abandono
de me morreres nas mãos

Espantas-me  os  medos...

(pensamento a esmo, desenfreado catavento
sem dono...pasmo e loucura)

e eu, a morrer,
solto a tinta escura
marca absoluta em desalinho assombro
e amarro vivo um atilho à penumbra.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Orgulho




Grata pelo reflexo de mim, no espelho daqueles que me rodeiam,
que me preenche de brio  e que me rasa os olhos de água.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Demasiadamente




Sim
...
talvez
te ame em demasia
e  em demasia se torne
quanto te quero

demasiadamente

quero-te quanto
torne-se demasia e
em demasia ame-te
talvez
...
Sim

segunda-feira, 13 de junho de 2016

co r po - po r co

*

corpo gerado, acto
corpo moldado, crescente
corpo feito, nascido
corpo doado, amado, cedido,
corpo rasgado, oferecido, usado
corpo fato de alma, etéreo,
corpo casulo, pinhão, noz,
corpo sangue, suor, lágrima
corpo capa, agasalho, abraço,
corpo mãe, nave espaço,
corpo água, mágoa, sal
corpo fátuo, morto,
corpo centelha, estrela,
corpo vazio, nada, inerte,
corpo sem cor nem po(´).

*Graça Morais, Tempo de Cerejas e Papoilas, Trás-os-Montes 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2016

vígil




o vento rasga e esboça uma feição na nuvem que teima e insiste pintar...
sibila o sopro do silêncio... ouço-te...vígil

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Ainda que...



 Ainda que o tempo escoe,
ainda que o silêncio se instale,
ainda que os dias se cosam ás mãos
e os olhos se prendam ao infinito,
ainda que a casa se agigante
e um quarto pequeno seja mundo
e a cama nau de tormenta insone,
ainda que o deslumbramento do sorriso
soe apenas no riso duma criança,
ainda que faça chuva ou brilhe o sol,
ainda que a indiferença se cole à pele,
lembra-te...
ainda és o barro que moldaste.

segunda-feira, 7 de março de 2016

de encontro




Navego, à vista, na dor dos teus olhos
de encontro ao finito que insistes pintar
de púmbleas cores, matizes baços.

Em esquiços amarrotados balouças
à deriva... queres fugir, finjo nadar...
 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Bicho de conta



a lua nasce no céu estrelado, a coruja pia no alto da noite...
enrolo braços e pernas...a cabeça...
no peito algemado, o coração bate num açoite forçado a existir,
a bater penas na solidão que a vida aponta...
a compasso...
o tempo da noite marca a vigia alerta... dias que despontam
para e de novo... despir a carapaça...

estremunhados os membros ganham forma
pintando a rotina no rosto que ainda dorme
deixando os olhos vagos, ancorados firmemente no sonho...
ausentes, tão ausentes...

de novo o compasso.... a passo das horas...o dia
torço as mãos, embrulho o sorriso, dou o flanco... remoo...
outra vez... a noite... a compasso
no peito algemado, o coração bate num açoite forçado a existir,
a bater penas na solidão que a vida aponta...
enrolo braços e pernas... a cabeça...
a lua nasce no céu estrelado, a coruja pia no alto da noite...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Da alquimia do sorriso



Existem sorrisos que nos iluminam por dentro...
que abrem a porta e nos convidam a entrar,
sentam-nos ao colo e oferecem o ombro
côncavo e profundo, coito de esperança
que afaga e embala a diurna tormenta e,
pegando-nos na mão ensaia pinturas
do porvir, mandalas coloridas a sépia,
sanguínea depois e,  por fim arco-íris...
primordial...pérola...nácar.
 
Renascemos à vida!   

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Emudeceram as palavras...



Emudeceram as palavras
teceram-se silêncios
cardaram-se vazios...
tão simplesmente, calaram-se.
 
Escuta-se, apenas, o fio do tempo
que pinga e escorre,
a manilha da vida
que estreita a cada lua
como um crivo apertado
que ferra e crava´.
 
Invade.

Ficam abertos apenas os braços...