terça-feira, 12 de novembro de 2013

Camminus


Sentou-se ao meu lado e deu-me a mão.
Não a esperava, apareceu-me de rompante e instalou-se. 
Senti-lhe o calor das mãos. Abraçou-me. Sentia-a tão próxima a mim.
Com os olhos fechados via-a olhar-me no fundo de mim.
Era transparente.
 O espectro da minha luz  crepitava bruxuleante em tons de oiro e fogo,  queimando a chama da vida que habita em mim. 
Ela afaga-me o rosto e afasta -me os cabelos e em cada bochecha repinica um beijo (faz-me lembrar a minha avó) e, acto contínuo,  dá-me uma palmada no rabo.
 - Então? - Olhei-a de frente... 
- Era para te espevitar! Acorda... Mexe-te... - Diz-me ela.
- Preciso de ti, do teu ombro! Preciso do teu colo. Sabes, ás vezes o caminho parece sinuoso e escuro, com alguns perigos à espreita. Não sei se consigo chegar... 
- Aonde?
- Ao arco íris. Sabes é lá a nossa casa. A casa de onde parti faz muito. Apanhei uma estrela e fui ver o que havia do outro lado. Perdi-me algumas vezes, outras fiquei à espera, outras ainda construí castelos e ainda outras cheguei a encruzilhadas mas,  tudo foi um caminho para chegar aqui.
- Estás cansada?
- Um pouco. Gostei que tivesses vindo. Pensei-te zangada pela tropelias que te faço...  Às vezes quero esquecer-me de ti. O teu olhar penetra-me e perscuta o meu íntimo tão profundamente que me incomodas...
- Vês-me a espreitar-te?
- Sim vejo-te no espelho e quase sempre não me vejo.
- Porque será? És tu ou sou eu?
- Sou mim...