quinta-feira, 9 de abril de 2015

Castelo


Vivo no meu castelo.
 Não é de cartas, nem de fantasia, é um castelo que ergui forte, a pulso, com tudo o que tinha: sangue, suor , lágrimas e algum amor -  o próprio nunca foi muito - o suficiente para a demanda da construção da casinha.  Cada ala, cada porta, janela ou recanto, foi enfeitado, pintado a  gosto, com dedicação e carinho. Nalgumas paredes investi papel, forrando a padrão florido algumas marcas que o tempo teima em criar. Mudei as cores, troquei as cortinas e investi noutra mobília mais clean e depurada nas formas. Descompliquei, acho, porque os anos vão passando. Neste meu mundo habitam sorrisos, de todos quantos o meu coração ama, abriga, acolhe e relembra. Todos! Recebo-os no meu castelo de braços abertos, de alma retemperada pela gratidão de me quererem tão bem. E sou feliz no meu reino!
Sinto-me rainha!
Porém, algumas vezes, o sol não surge no horizonte, risonho e quente. Um nevoeiro diáfano, matreiro e espesso insiste em rodear o castelo, qual monstro assustador que tenta roubar a felicidade alheia. Tenho guardada uma espada especial para monstros, mas por falta de muito pouco uso, não consegui ainda desembainha-la.
Esqueci a palavra mágica!
Anotei num pequeno papel que arrumei num qualquer lugar que ainda não descobri.
Upss! Também tenho defeitos: esquecida, desarrumada e muitos caracóis, mas sou voluntariosa: hei-de encontrar o papel.