quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Noite

Vens de mansinho e instalas-te,
no ar corre, arfando, o teu cheiro inconfundível,
laivos de anil pintam-te de cor...
sentas-te,
com fitas compridas e laços apertados
envolves-me,
e
abraças-me,
no peito almofada envolvo os cabelos
em caracóis de cascata tumultuosa,
...sereno...
embalas-me com novenas de coro grego e
pintas-me olhos estrelados,
brilhos e fulgores antigos
e o pano de boca espanta-se
abre e fecha em respiro necessário
em suave tragédia feliz
em actos sucessivos até, apoteose final,
 um reconfortante sono dormido.