sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Angelus



Ao de leve o teu bater de asas fez soprar uma leve brisa de ar envolvente que me acordou.
Abri os olhos e vi-te pousar a asa por cima de mim protegendo-me.
Gostei de sentir a leveza da penugem na minha pele, fizeste-me cócegas.
Senti o afago e o carinho que me dedicas, a comunhão.
Entreguei-te as dores, as queixas, os sonhos e a minha loucura. 
Senti-me leve, solta, pluma, pena e, de repente, voei...  
Voei voltas e reviravoltas, num turbilhão de piruetas e voos picados nas tuas asas.
 Não precisamos falar. 
Comungamos a transcendência e a leveza de ser. Experiências profundas nos unem  num espaço e num tempo, que sabemos, serem nossos.
Como se o tempo e o espaço fossem um só e nós um todo. 
Pousaste-me suavemente de regresso e vi-te sorrir com o peito cheio e as asas de anjo ergueram-te no firmamento. 
Sinto que vais voltar...