quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Balanço

Ontem, com os meus botões e na proximidade dos meus cinquenta, confrontei-me com a verdade: sim, vou fazer anos. 
Á laia de balanço, visualizei uma folha branca, não uma folha com risco ao meio, tipo deve e haver, mas uma folha de papel como uma tela. Forte esta imagem. 
Como se tudo se resumisse a uma folha branca, limpa, alva, onde a inscrição pode ser como uma aguarela suave, um acrílico fugaz ou um óleo elaborado, com minúcias de requinte e precisão, por vezes de rompante outras de suavidade delicada ou, ainda, um grafitti colorido, disforme e contorcido. 
A minha folha, porque é minha, é uma linda folha, com passe-partout a enquadrar uma linda estampa de cariz abstracto de cores suaves e fortes, de traços finos e largos, indecisos e precisos que legendam a minha vida. À margem, algumas pingas, algumas marcas que pontilham as indecisões, as dúvidas do risco ou da cor, da dúvida da direcção a percorrer. 
É um lindo quadro a minha vida! 
Feito por mim, com as minhas mãos, com o meu sangue e suor e algumas lágrimas. 
Ainda não está finalizado ou terminado. Precisa de retoques, afinações, aperfeiçoamentos,  e mais importante ainda,  de uma moldura. Esse será o derradeiro gesto que dará o quadro por finalizado.
 Pretendo uma moldura simples, bonita e clara como pretendo seja a minha alma...