segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

No início era o verbo...

Olho-te nos olhos.
Vejo-te por dentro. São janelas de ti que espreito.
Descortinam emoções que tapam as esventradas vidraças que ao piscarem, retomam os seus lugares.
(Prendo-as com as mãos)
Sinto-te em mim numa conexão cósmica, onde parece, já nos conhecermos de há muito. 
Será verdade?!
Completamo-nos.
Só as palavras projectam e formam planos de imanência
como bolas de sabão que desenham sonhos e vislumbram
futuros e quimeras.
Na tua boca se formam e nascem e eu recebo-as na minha onde fazem eco
e explodem em magma criador de espantos e deslumbramentos.
Fascinação. Loucura. Vórtice.
Atrai-nos e expulsa-nos de um paraíso já descoberto mas sempre (re)visitado com prazer.
O caminho sabemo-lo de cor e de olhos fechados guiamo-nos um ao outro,
num mapa-mundi de formas conhecidas, mas sempre à descoberta num acervo que é nosso,
catalogado há muito, cuja chave possuímos ancestralmente.
As palavras ditas, proferidas, gritadas, sofridas, zangadas... 
as palavras murmuradas, interrompidas, veladas, anunciadas, proscritas...
as palavras caladas, gastas, frias e findas.

   PA  -  LAVRA  - para lavrar, semear, crescer, colher, saborear, morrer.

Se no início era o Verbo, no fim È o silêncio!